Porque tem música que faz a gente ficar com uma bola de basquete na garganta. A gente não sabe exatamente se é vontade de gritar, chorar, rir, viver. Se é toda a verdade dita em cada frase, se é a vida, se é o tom, mas é assim.
Paulinha, cê bem sabe que isso acontece com “seu minuto, meu segundo”, que me faz querer chorar e gritar eternamente. A gente não se importa de cantar desafinado, a gente canta grave, quer seguir o cantor, atropela a batida, se sacode, bate cabeça, faz careta batendo no peito enquanto grita “a vida ééééé hôôôôôôôôje e é cooooooom ou sem você! Espeeeeero demais, vou fazer seu minuto meu seguuuuuuuuuuundo”. E fica na garganta aquele choro preso [ou não. No trânsito ou quarto ~soufoda~ é o momento perfeito pra extravasar toda a dor, saudade, alegria, emoção. Tudo].
O desejo insiste e desaba em mim, segue com meus passos, come com meus dentes e você me ocupa seu radar em mim, come até meus passos, segue até meus dentes… Hoje à noite vou sair e beijar a paz que a sua dor quer… Fuja de casa, vai morar fora de mim, que a dança está sem sal e só você não vê. Chego em silêncio que acaba em seus gritos, você dá show – hora de sair de novo.
A vida é hoje, e é com ou sem você, espero demais, vou fazer seu minuto meu segundo e vou com ou sem você; bem que me faz toda vez, cada passo nesse mundo…
Seu desejo é fraco quando pensa em mim, não decide os passos que dão carne aos dentes. Hoje à noite vou sair, assumir a paz que a minha dor quer. Não me traí, fui morar dentro de mim, você me enxerga mal e só você não vê! Chego mais cedo, não quero ver, mas piso – você no chão – hora de sair de novo!
A vida é hoje e é com ou sem você, espero demais, vou fazer seu minuto, meu segundo e vou com ou sem você; bem que me faz toda vez, cada passo nesse mundo…
E então, depois de uns 6 meses ouvindo a nova banda, me pego ouvindo “lição de casa” e pensando em vocês. Porque é bem nossas conversas, é a bola de basquete, o aperto no peito, o choro, o riso, a vontade, o desafino, o desespero, a vontade de ter vocês perto de mim, é lembrar de vocês em cada frase, ou por parecer, ou por não parecer, ou por querer ser.
No carro ia ouvindo essa música, e o desespero ia chegando. Não que seja ruim, mas é um desespero. Então me peguei com a mão no peito, gritando e fazendo careta, cantando “Quero cantar como num balbucio, porém gritando se eu quiser gritar. Por opção como quem ama o Rio, mas tem São Paulo como seu lugar”. E quase consegui ver o olhar da Paulinha pra mim nessa estrofe e ouvi os conselhos da Ju e senti o romantismo da Line na letra toda. Naquele momento eu queria estar deitada no chão da casa da Ju, morrendo de rir, chorando, conversando coisas que só a gente conversa.
Quero aprender a andar na luz do dia, quero aprender a gostar de calor enquanto esse verão ainda existe, antes do frio e do cobertor. Quero aprender a perder o meu rumo, chupar o sumo do que eu for sentir, tragar o mundo como eu trago o fumo, perder o prumo e me deixar cair e desse jeito aprender o que é vida, o que é preguiça de se aborrecer, olhar o mundo como quem me ama, que disse que me ama até morrer.
Quero aprender a dizer o teu nome como ninguém nunca ousou dizer; a ser você, a matar minha fome no teu sorriso que me faz morrer. Quero aprender a não dizer mais nada dizendo tudo o que puder haver; falando pouco, em poucas palavras, contar pro mundo que tudo é você e desse jeito aprender o que é vida, o que é preguiça de se aborrecer, olhar o mundo como quem me ama, que disse que me ama até morrer.
Quero aprender a me esquecer da vida… Ter na cabeça só raios de sol, como a minha querida e sem mais, sem mais, sem. Nada, só você, amor.
Quero rodar enquanto o mundo roda, fazendo pó na estrada com você[s]. Ouvindo moda enquanto você joga em mim a culpa por querer viver. Quero cantar como num balbucio, porém gritando se eu quiser gritar. Por opção, como quem ama o Rio, mas tem São Paulo como seu lugar.
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E desse jeito aprender o que é vida, o que é preguiça de se aborrecer, olhar o mundo como quem me ama, que disse que me ama até morrer.